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sexta-feira, 15 de junho de 2007

Níveis de "Terror-Alert"

Peço perdão se os assustei. Por aqui já estamos tão acostumados, que não me dei conta de que poderia parecer anormal para "minha audiência". Sendo assim, vamos explicar.

Acho que começou com o 11 de Setembro, não sei bem, pois mudei para cá poucos meses depois daquele tenebroso evento. O Departamento de Segurança Nacional possui um código de alerta que indica, ou tenta indicar, ao menos, como andam as probabilidades de um ataque terrorista, no momento. Acredito que estabeleçam o nível do alerta de acordo com informações obtidas através dos serviços de inteligência. Nunca parei para ler a respeito, confesso.

O nível vai do verde (baixo) ao vermelho (severo). Desde que moro aqui, o nível nunca baixou do amarelo, como agora. Já houve momentos em que esteve no laranja, e estes são mais preocupantes. O amarelo não nos assusta mais, pois é o nível normal, infelizmente.

Quando o nível é elevado ao laranja, há um anúncio nas estações de TV, rádio, etc. As pessoas são encorajadas a fazer estoque de comidas não perecíveis, água, pilhas, remédios, fita isolante e plástico (supostamente para selar portas e janelas, para evitar contaminação dentro de casa), e assim por diante.

Como se diz por aqui, a questão não é "se", mas "quando" vai acontecer novamente.

Talvez vocês achem que é loucura viver assim, mas não acredito que seja mais loucura do que viver em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Porto Alegre. Para mim, na verdade, é menos estressante. Explico. A ameaça, aqui, é mais severa, mas mais remota. Não está ali presente em cada momento do teu dia-a-dia. Aqui, a gente sai de casa sem medo de ser assaltada, volta para casa sem medo de ser assaltada, dorme sem medo de acordar com alguém dentro de casa durante a noite, vai ao cinema, volta do cinema, vai ao supermercado, volta do supermercado, caminha na rua, senta no parque, senta na varanda da casa à noite, enfim...

Quando acontecer, provavelmente não haverá volta, mas, no meio tempo, a qualidade de vida é muito superior.

Lembro-me de quando a Tia Ritinha e o Tio Justiniano nos contavam de como deixavam as bicicletas na rua, em Cuiabá. Isso foi lá pelos anos 60. Pois agora, em 2007, nossa bicicleta morou na rua dias a fio, e o único problema foi a chuva.

Não vou dizer que em Denver não seja um pouco diferente. Sim, lá é diferente, mas, ainda assim, não chega a ser como nas nossas cidades grandes por aí.

Pena que perfeição não exista. Se existisse, então não teríamos que nos preocupar com os níveis de cor, assim como não nos preocupamos em viver nosso dia-a-dia.

Enfim, assim como nos acostumamos a caminhar pelas ruas de Porto Alegre olhando ao nosso redor, e atravessando a rua quando suspeitamos de alguém que caminha em nossa direção, também nos acostumamos a viver sob uma ameaça de algo maior, mas que ainda mantemos esperança de que possa ser evitado.

2 comentários:

Osc@r Luiz disse...

Estranho...
Me fez pensar...
Ainda estou pensando.
Beijo!

Eneida disse...

Se continuares pensando por mais uns dias, vou ter que exigir o "Thinking Blog"! :) Brincadeirinha... Não pensa demais, que pode causar um curto-circuito! O ser humano possui uma enorme capacidade de adaptação (em termos gerais, naturalmente). Diante de uma situação imprevista, assustadora, ou simplesmente diferente, a gente pára, pensa, assimila, e vai em frente, com a nova realidade adaptada ao nosso dia-a-dia. Okay... assunto para um novo post!
Beijão, e Feliz Dia dos Pais (é hoje, aqui).